quarta-feira, 29 de setembro de 2010

CINEMA

São Paulo dá um filme por dia. A infinitude de seus roteiros diários vai de Buñuel a Almodóvar, passando por Fellini, Bergman, Won Kar Wai e Glauber.
Nada de deus nem do diabo. É o supra humano na terra da...na terra.
Hoje eu vi a lua entre o farol e o viaduto.
Gostei então ainda mais do vermelho. E do verde também. Fiquei ali, parada à beira asfalto olhando pro céu.
 
(Tanta, tanta gente. Olho pro mar e só consigo matutar: em quem eles vão votar?)
 
 
 
Minha mente psicodelia. Meu coração SAUDADE. Construo mil personagens. O argumento é só começo e meio.
 
 
(tem fim?)
 



 
 
A propósito: as praias desertas continuam esperando por nós?

terça-feira, 3 de agosto de 2010

LEITO (ou divagações sobre um colchão visto num cesto de lixo).

  Ontem, muito perto daqui, vi um colchão dentro de um grande cesto de lixo. Era um colchão de solteiro, cor de creme com rosas cor-de-rosa mesmo e alguns filetes azuis. Um colchão de casal fosse e então eu poderia imaginar milhões de histórias de amor desfeitas, que agora precisam ver indo embora para todo o sempre o visgo reminiscente das horas mais felizes da vida em comum. Mas não, era um colchão solitário.
  Solitário assim, no sentido de, teoricamente, ter sido feito para o um. Porque esse tipo de leito é o melhor de todos para se fazer do dois o um. Certo é que muito espaço se faz mais confortável para os desnorteios do fervor urgente, mas o mínimo dele é mais do que suficiente – e gostoso. Se não há para onde rolar, e a possibilidade de cair é de 100%, o jeito então é deslizar-se por cima, por baixo, de lado, um para cima e outro para baixo e começariatudooutravez, seprecisofosse, meuamor. Assim a urgência se faz mais delirante e o desejo mais infinito. Escorrega-se com mais facilidade porque o atrito é molhado. Prende-se com mais facilidade porque o molhado gruda.
  Talvez então para isso, para desgrudar da alma a lembrança, o colchão com rosas cor-de-rosa mesmo e alguns filetes azuis foi jogado ao lixo. Ou, então, era de alguma criança mijona.


Ou estava infestado de pulgas.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

DEVOÇÃO

Meu altar é feito daquilo que sinto: conchas do mar nordestino, Nossa Senhora Aparecida, fitas do Senhor do Bonfim e meus discos de Maria Bethânia.



Iemanjá, Iansã, Xangô e o vento minuano. Uma foto de Elis.


Avenida Paulista, Ponte do Guaíba e a prosa de Graciliano. Ser-tão Guimarães e Ana Terra. Incenso de sete pimentas africanas.


Banho de alfazema, a bandeira do Rio Grande. O pampa na garupa em qualquer lugar que eu ande. Leminski.


A fé que me acompanha sem eu saber. Um verso de Torquato: um dia desses eu me caso com você.


Feminino.



Mulher.


A Lua.






VERMELHO.






Samba de roda. Uma roda de chimarrão.







Meu coração.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O último marujo português


        Que as águas da eternidade, por onde agora navegas com tua jangada de pedra, lhe sejam serenas.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

AMOR,

sabe, nesses dias frios de outono, o céu de São Paulo tem se feito quente. É. Já são algumas noites seguidas que saio à sacada e dou de frente com a Lua escancarada pra mim. Converso com ela. Tem vezes que ajoelho, até. Sim, tal qual uma adoração mesmo. Não, mas não tenha ciúmes, ela é tão mais brilhante e mais distante! Não a agarro com a mão, como faço contigo e como disse o Waly pra Bethânia em Mel, lembra? Não. A Lua é mais. Ela é mulher, assim, que nem a gente. Olho pra ela, assim, tão meiacheiadeLua e fico pensando em como é bom poder estar aqui embaixo, só pra poder olhar pra cima. Doidice, não? Eu não acho. Acho excitante. Fico pensando em deitar contigo ali no asfalto do Elevado e ficar olhando pra Lua. Queria te versar assim em Bandeira e Caetano. Queria que tu lesse pra mim ali. Me lesse. Aí, eu queria te cantar também. Não... o chão é macio. Acho o Elevado de um lirismo incrível! Dura poesia concreta, sabe? Quase posso sentir a tua língua quente no meu ouvido falando Lemiski, Lenine e Cazuza. A sorte do nosso amor com sabor de fruta mordida.

***

       Sacanagem danada essa de o céu se fazer assim justo agora. Me sinto tão feliz quanto...quanto nada. Me sentir feliz pelo espetáculo que o céu da Paulicéia tem feito nestas semanas é o que basta. Sempre o quis assim: em noite quente e brilhante. Lembro do Sertão e do Pampa, roseana e ericamente enluarados. Então, o peito aperta. Só faço saudade. A Lua me enche. Suspiro, te canto, mas não te conheço.

terça-feira, 8 de junho de 2010

ai, ai, tão grande.

Gosto da saudade e do que ela faz comigo. Gosto de que ela me doa. Gosto de como ela me lateja e me apedreja. Saudade é dor pungente, sim, mas não me mata. Ela me vive. Me mora.

Quando não sinto, sinto saudade da saudade.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Coração de carnaval

carne igual?


Agora, de acordo: sim, gosto de sofrer. Rasgar meu coração em um milhão, quatrocentos e trinta e dois mil pedaços de poesia latejante. O impossível instante da brevidade me atrai como um animal faminto e alucinado em busca da presa. Gosto de saber que nunca vai ser, assim degusto com mais gosto. Só assim posso sentir com mais vigor meu prazer de ser fêmea. Me apetece sobreviver a mais uma desilusão e viver com mais uma saudade.



(Vida aí, minha vida...)